sexta-feira, 12 de março de 2010

Sonhou

Os sonhos daquela garota eram realmente sonhos, provavelmente não se tornariam realidade, mas serviam para que surgisse uma ponta de esperança, para que os fatos não ficassem tão 'fatos', servia talvez para aliviar a dor das pessoas como ela, tão novas e já tão descrentes da vida. Uma luz no fim do túnel pode tanto ser uma saída quanto um trem em alta velocidade, o que não deixa de ser uma saída.
Sonhou com um lugar comum, parecia uma lanchonete ou algo assim, apesar da perfeição de detalhes, nunca havia estado lá. Conversou com alguma pessoas, bebeu algo e assistia sem muita atenção ao noticiário, é claro que ele estava lá, como disse, era um sonho e sua presença caracterizava isso mesmo na 'vida real' , as mãos brincavam por um motivo qualquer provocando algumas leves risadas ,às vezes nem tão silenciosas.
As brincadeiras viraram carícias, até que com um ar triste e concentrado ele começou acompanhar com seus dedos os traços da mão esquerda da menina, tão concentrado que não notou estar sendo observado pela moça no que fazia.
A curiosidade da menina em saber o que era aquilo só não foi maior que seu encantamento ao encarar aquele rosto de perfil, tão próximo, tão longe, tão perfeitamente desenhado e tão apaixonadamente encantador. A garota beijou sua face em um tempo relativamente longo para os outros, porém sempre curto demais para ela, ele beijou levemente seus lábios, mas nem uma bomba nuclear teria efeito tão avassalador, o tom era de despedida, se abraçaram carinhosamente e mais uma vez ele sumia em seus braços com um suspiro, ela estava acordando.
Abriu os olhos lentamente , dividia a cama com seu violão, ficou olhando um bom tempo para aquele instrumento que sempre levava seus pensamentos de volta ao rapaz, até que a chuva no telhado de sua janela fez a garota entender que mais uma vez havia sido um sonho.
Talvez mergulhar em uma banheira de ácido traria menos dor, pelo menos a dor física é localizável, já a sentimental consome todo o seu corpo, paralisa sua mente e nunca tem fim. Além de todo aquele sentimento de tristeza e amor incurável, ela ainda não tinha com quem se abrir, como chorar, seus companheiros eram o papel, a caneta e um violão de testemunha, para quem ela contou uma história de dores, amor e sonhos em terceira pessoa.

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