quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um dia ...

Sinceramente, tenho medo de morrer. Meu medo não é de morrer jovem e sim de morrer sem ter feito tudo que queria ter feito, dizer tudo que queria ter dito ou escrever tudo que desejava ter escrito.
Tenho sentido umas fortes dores de cabeça, tonturas e meu coração vai de "0 à 100" mais rápido que uma Ferrari, minha priminha de 5 anos disse que talvez eu esteja com um tumor na cabeça e pediu para que eu fosse ao médico antes que eu morra, acalmei ela e disse que já fui e ele disse que não era nada. Mentira.
Não levei o resultado de alguns exames e outros nem cheguei a fazer, se for para ele me proibir de fazer algo que me deixe muito "agitada" como diria mãe, prefiro nem ir mesmo não, não vou deixar de fazer o que gosto porque meu corpo é fraco demais pra isso. Se for pra morrer que seja fazendo o que gosto.Mas também não vou começar a me velar por isso, pode ser que eu não tenha nada, posso morrer entalada com uma bala , não vou me pré-ocupar com um tumor.
O fato, é que não sei quando nem como vou morrer, mas sei o que quero que aconteça:
Usem branco dos pés até a cabeça, por favor, é horrível todo mundo de preto.
Não, em hipótese nenhuma me enterrem, não vivi minha vida pra terminar debaixo da terra .
Quero ser cremada.
Doem meus órgãos. Todos que possam fazer alguém se sentir mais vivo, mais humano.
Só não esqueçam de pedir a quem for receber meu coração que cuide bem dele mesmo porque, ele não é meu.
Sempre que sentirem minha falta, acendam uma vela ou façam um belo fogo de conselho, eu sempre amei fogo de conselho,é a melhor parte de um acampamento, é o momento onde eu paro pra pensar em tudo que me rodeia, reparo as estrelas, o cheiro do campo, renovo meus ânimos,
espanto meus medos e tristezas diante das chamas do fogo que crescem queimando a Flor de Liz .
O que vai ficar pra cada um estará escrito numa carta misturada nas minhas coisas, até então nada de valor, apenas valor sentimental é claro. Quanto as minhas cinzas, se quiserem podem guardar um pouco pra cada um, assim sempre estarei por perto, o que sobrar peço para que joguem no topo da Kilimandjaro, todos juntos.
Para terminar meus pedidos póstumos :cantem, por favor, a Canção da Despedida, se possível dedilhada no violão.

pS: não esqueçam de procurar a carta e obrigada por tudo! amo muito todos vocês!

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